Lembranças da infância – 3

Enviado por: Marginal

Como diria o O. Carvalho… (é, ele dizia muitas coisas!)

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura, e… corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contacto de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstracto das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

[Augusto dos Anjos]

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Lembranças da infância – 2

Enviado por: Marginal

Como diria o O. Carvalho…

Du pain sec et du fromage c’est bien peu pour déjeneur.
On me donnera, je gage, d’autre chose à mon diner.
Car Didon dîna, dit-on, du dos d’un dodu dindon.

[E, em seguida, morreu.]

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Lembranças da infância – 1

Enviado por: Marginal

Como diria o Charles…

Pedro Pereira Pinto, primeiro pintor português, pintava portas, portões, portais.
Partiu para Paris para poder pintar por pouco preço.
Passando por Penacho Preto, Penápolis, passou por pontes perigosas pulando pedra por pedra para poder pegar pedras preciosas.
Pereceu pacientemente picado por pequeninas pulgas perigosas.

[E, em seguida, morreu.]

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Estranho – 3

Enviado por: Mrs. Parker

Antes, veja aqui

(Já traduzido)

“01/09/2006 – 7h55

O dia hoje começou como sempre, juntei meu material e fui trabalhar.
Não tive sucesso na primeira metade do percurso do trem no sentido norte, mas não desanimei, encontrei uma conhecida que me emprestou uma caneta e pude continuar a escrever.

Fiquei um pouco incomodado com uma mulher latina de cabelo pintado de louro que me olhava insistentemente. O que será que ela queria?
Ela usava uma camisa de algodão e sapatos fechados de bico fino! Será que ela não sabe que é verão? Vai chover e está o maior calor pra ficar de sapato fechado! Deve ser horrível andar com isso, nada confortável… ainda mais na chuva…

Epa! Ela tá olhando pra todo mundo e pensa que ninguém notou isso. Agora, está olhando pra mim de novo! Fica me analisando minuciosamente! Meu Deus, acho que vou mudar de lugar…

Pronto, daqui ela não me vê.

O quê? Ela está espichando o pescoço pra ver onde estou? Qual é a dela? Acho que vou chamar a polícia…

Ufa, finalmente ela desceu do trem! Agora posso devolver a caneta e continuar o meu trabalho em paz!”

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Estranho – 2

Enviado por: Mrs. Parker

Antes, veja aqui

Deixei os pensamentos divagarem enquanto o trem guinchava e fazia seu percurso, embalada no agradável sacolejar. Observei os pés do cara do outro lado, provavelmente de ascendência indiana (ou árabe?): chinelos, unhas compridas e sujas; isso me chamou a atenção e imediatamente resolvi comparar com os pés da moça de cabelo alisado à esquerda: sandálias e unhas pintadas de azul.

Como que tomada por uma curiosidade repentina, comecei a olhar para os pés de todos que consegui alcançar no vagão! Vi uma latina com pés imundos em tamancos altos e unhas vermelhas; uma senhora de idade com duas crianças, que pareciam ter voltado de um parque, a não ser por estarem carregando um notebook novinho embrulhado, tinham as três os pés pretos de sujeira (!) e as unhas pintadas de cores variadas. Um velho quase careca estranhamente usava terno, gravata e… chinelos! Mas nada me tira da cabeça que em sua valise estava camuflado um belo par de sapatos sociais.

Continuei absorta nessa estranha investigação e vi orientais de tamancos, universitários de tênis imundos e sem cadarços, até que vi um cara de tênis de cano alto, com cadarços muito longos amarrados na calça legging, criando uma aparência contrastante. Os tênis eram de cor laranja e, apesar do cano longo e de estarem amarrados à calça, deixavam aparecer um pouco de sua fina canela.

Era o nosso amigo pedinte! Fiquei observando-o de rabo de olho para não ser notada: tudo que eu não queria era mais um maluco cismando com a minha cara! Ele era mulato, baixinho e magérrimo. Com os tênis estranhos e a calça legging, parecia ainda mais baixo e magro! Usava uma jaqueta leve, velha e desbotada, sem nada por baixo, e um boné grande cravado na cabeça até a linha das sobrancelhas. Após uma olhada mais minuciosa, percebi que tinha uma camiseta enrolada na cabeça, por baixo do enorme boné, escondendo as orelhas. Devia ser para ajudar a equilibrar o boné, que era nitidamente alguns números maior que o necessário.

Quando olhei para suas mãos, impressionante!, notei que realmente havia escrito várias linhas de texto em sua caderneta! Morri de curiosidade para saber sobre o que seria aquele texto longo, mas me contive. Estava até engraçado, pois o início do texto havia sido escrito com caneta azul e todas as últimas linhas foram escritas com a caneta de tinta preta que ele pegou emprestada da moça com fone de ouvido. A letra parecia ser bonita, embora miúda como ele.

O trem pára e entram duas meninas; o único lugar vazio desta ponta do vagão é ao lado da estranha figura, agora transformada em escritor. Uma das meninas se senta, enquanto a outra fica de pé, logo à frente. O escritor, com sua peculiar voz alta, oferece o lugar pra menina que havia ficado em pé e, sem esperar qualquer resposta ou reação, se desloca para o outro lado do vagão onde havia mais um assento vazio. De lá, aos berros, avisa a moça de fone de ouvido que, embora ele tenha trocado de lugar, ainda estava no vagão e iria devolver a caneta dela. Ela mal acenou e continuou a olhar para o nada.

Li nas placas da estação seguinte que já era a minha vez de descer, estávamos na 42. Saí do trem junto com uma multidão e logo estava na rua. Começava a garoar. Meu sono havia acabado e fiquei recordando os últimos eventos no metrô enquanto andava para o trabalho. Tudo aqui é muito diferente, mas vou me acostumando. Será que ele vai devolver a caneta para a dona? O que será que ele tanto escrevia naquela caderneta? Enfim, não se pode achar nada estranho nesta cidade: estranhos somos nós.

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Viagens

Enviado por: Zumbi

“Pô, eu tava pensando, a gente podia fazer uma música sobre nossas viagens, né?”
“Que viagens? Viagens-viagens ou viagens mesmo?”
“Viagens mesmo, pô!”
“Ah, viagens mesmo… Mas eu nunca fiz viagens muito longas…”
“Não tem problema, a gente pode falar das nossas viagens curtas mesmo, a gente pode até falar de viagens que a gente não fez! Ninguém nunca vai saber!”
“Entendi, a gente escreve umas músicas baseado nos locais que a gente nunca foi e depois faz as letras baseado nas culturas que a gente não conhece! Vai ficar ótimo!”
“É, mas a gente pode perguntar pra alguém que já foi. E que negócio é esse de músicas e letras, tudo no plural? Eu sugeri apenas uma música, uma musiquinha pra passar o tempo.”
“Pois é, eu já me adiantei e estou pensando em uma suíte inteira!”
“Suíte que nem no motel?”
“Não, suíte conjunto de músicas com um mesmo tema.”
“Ah, como um disco de ópera-rock do The Who?”
“Isso, mas quem tá falando em disco é você! Eu tava pensando em apenas juntar algumas músicas com letras que falem das nossas viagens, aquelas que a gente nunca fez, pois deve ser mais fácil escrever tudo sobre o mesmo tema.”
“Nunca fez, mas fará! Não pode se conformar que a gente vai fazer músicas sobre viagens a locais interessantes, distantes, misteriosos e não vai sequer chegar a conhecê-los!”
“Isso, aí, na turnê que faremos para apresentar o disco, podemos dar preferência às cidades que a gente mencionou nas músicas. Já é meio caminho andado pra conquistar audiência nessas cidades!”
“Pô, mas se é pra ir meio caminho andado, é melhor que a gente não faça músicas sobre cidades muito distantes, né? Senão a gente cansa…”
“Idiota, eu quis dizer que é mais fácil conquistar a platéia quando fazemos música especialmente sobre ela!”
“Eu sei, tava só brincando, ô Mau Humor!”
“Mas você inventou esse assunto, agora o papo é sério! Já estamos até planejando as turnês pra apresentar o disco da suíte das músicas sobre viagens que a gente nunca fez!”
“É, temos que pensar em tudo mesmo. Por exemplo, seria bom se fizéssemos músicas sobre algum lugar na Europa, pois lá existem várias culturas diferentes em países muito próximos uns dos outros. Assim, poderíamos fazer um show com as músicas em um lugar, lançar o song-book em outro lugar, fazer uma apresentação em praça pública igual aquela que o Pink Floyd fez em Verona, na Itália…”
“Foi em Veneza!”
“Tanto faz, Verona, Veneza… O que importa é que com tanto sucesso, vamos precisar nos esconder do grande público. Será que na Europa tem algum lugarzinho discreto?”
“Claro, com tanto dinheiro, podemos comprar uma ilha particular na Grécia e ficar curtindo a brisa do Mediterrâneo. Dizem que a comida do Mediterrâneo é a mais saudável do mundo, ou seja, seremos ricos, famosos e vamos viver por muitos e muitos anos pra aproveitar isso tudo!”
“E mulher? Vai rolar mulher?”
“Várias, meu caro, e da nacionalidade que você quiser! Elas são doidinhas por ricos e famosos! E mesmo quando ficarmos coroas, elas vão continuar fazendo de tudo para freqüentar nossa ilhota…”
“Pô, e tudo isso com as viagens que a gente nem fez!”

Bzzzzzzzzzz – ouve-se o som de uma campainha.

“Ué, tá todo mundo levantando…”
“A aula acabou! Vam’bora também!”
“Pô, e eu todo concentrado…”
“É, aula de Cálculo é mesmo uma viagem!”

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Estranho – 1

Enviado por: Mrs. Parker

Entrei na estação de Grand Army Plaza. Ainda era hora do rush, o que significa que havia fila nas máquinas de auto-atendimento, a estação estava cheia e os vagões idem. Esperei pacientemente por meu trem, que demorou ainda alguns instantes, enquanto eu tentava espantar o sono com o resto do gosto de café que me sobrava na boca.

Meu trem chegou, entrei e tive a grata surpresa de perceber que não estava tão cheio como os outros que tinha observado até então. Apesar de existirem alguns poucos assentos vagos em meu vagão, várias pessoas estavam em pé, próximas às portas, numa falsa expectativa de descer na próxima parada; na verdade, elas estavam distraídas e com medo de perderem o ponto, portanto ficavam em posições estratégicas para conseguirem ler o nome de cada estação quando o trem parava.

Um cara falava em voz alta, quase gritando, aquela lengalenga que já estava acostumada a ouvir nos sistemas de transporte coletivo das grandes cidades:

“Ladies and gentlema’, I’m unemployed and homeless. I’m not stealin’ you, I’m not robbin’ you, just askin’ for your contribution so I can…”

Me acomodei em pé mesmo; no banco em minha frente estavam duas moças que levavam casacos volumosos, guarda-chuvas compridos e resistentes e algumas bolsas cheias de cacarecos. Achei estranho, pois a previsão era de tempo bom e temperaturas altas.

Algumas estações depois, uma das moças da minha frente juntou seus apetrechos anti-chuva e saiu do trem, deixando vago o assento ao lado da amiga. Gentilmente, ofereci o assento à senhora que estava em pé ao meu lado, segurando como podia no alto cabideiro:

“Você quer sentar?”

Nem percebi que falei em português! Deve ser o sono… O mais estranho é que a senhora entendeu (talvez pelo gesto que fiz enquanto falei), se sentou e agradeceu em inglês, como tinha que ser.

Continuamos a jornada pelos labirintos subterrâneos e ouvindo o pedinte, agora insatisfeito com o resultado obtido com sua postura “passiva”, indo de banco em banco contar a ladainha que precisava de alguma grana, não estava assaltando, etc.

Nisso, o camarada puxa uma cadernetinha surrada do bolso e volta a circular pelo vagão, indo de banco em banco, pra pedir uma caneta emprestada, já que ele tinha coisas a escrever e a caneta dele tinha acabado a carga. Importunou um, outro, uma senhora que lia um jornal, um executivo de terno e, de todos, recebia a mesma negativa.

Meio de saco cheio daquilo tudo e, pra ver se conseguia acabar com a amolação, uma moça com fone de ouvido finalmente resolveu emprestar-lhe uma caneta. O pedinte agradeceu muitíssimo, sempre em voz alta, e sentou-se em um banco próximo para escrever. Pensei: esse cara não vai escrever porra nenhuma, ele está apenas querendo atenção, dinheiro ou ambos.

Ele ainda perguntou para a moça em que estação ela iria descer e, diante da resposta, informou:

“I’m gettin’ off on 148, but you got nothin’ to worry, I’ll get you pen back befo’ you station!”

A dona da caneta apenas fez um sinal com a mão, como quem diz: deixa pra lá.

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Cabeça

Enviado por: Felpudo

Cabeça era indeciso, impreciso e inocente. Nada disso teria relevância se não tivesse os amigos que têm. Os amigos são feitos no caminho da vida e meandros mais prolixos, inesperados, como aquela pedrada na frente da escola ou a falta desleal no futebol de rua. As grandes amizades são geralmente feitas na infância onde as características pessoais são mais evidentes e os defeitos mais caricaturais. As crianças não possuem máscaras e nem a malícia, por isso são mais verdadeiras. Cabeça era indeciso, impreciso e inocente e ainda tinha o crânio do tamanho da coxa, e talvez por esta razão ganhou uma alcunha que ofuscou seu nome de batismo. A ironia dos coleginhas e o tom satírico que o chamavam era a mais profunda prova de amor. Se você quer saber se uma amizade é verdadeira veja o quanto um pode sacanear com o outro. A liberdade e a ausência de fronteiras é o que faz duas pessoas, apesar de seus defeitos, se darem bem.

Contudo, Cabeça era o predileto alvo de piadas e qualquer coisa que fizesse nunca era à altura do que recebia. O garoto era importunado por todos e sempre com ações simultâneas. O objetivo do grupo era sempre vê-lo louco, em uma espécie de projeção do herói Hulk, que ao ficar nervoso se transformava. O menino não ficava verde, mas quando saía do sério era algo de chamar atenção, sua força dobrava, e correr do colérico Cabeça simplesmente representava o melhor passatempo. As provocações seguiam sempre de maneira incessante e sem respeitar hora e local. O destino de Cabeça era ser o espírito de libertação do ódio no mundo, a certeza de que se você não aceita algo, pode extravazar-se. Cabeça, embora o mais gozado, com certeza naquela infância inesquecível para todos foi o mais admirado. Afinal todos queriam ser Cabeça.

Porém na última quarta ninguém quis ser mais o ídolo. Ao ir em uma casa de divertimento ilícito masculino noturno, o agora adulto Cabeça, realizou um ato que nem seus amigos conseguiram fazer piada. O jovem após não passar em um concurso, resolveu chamar seus amigos para ir desafogar as mágoas e escolheu um puteiro (termo menos eufemesidado do que no parágrafo anterior para o mesmo local). Os amigos embora compromissados aceitaram a proposta por consideração e culpa por todas as sátiras e brincadeiras de infância. Quando juntos todos eram crianças e Cabeça era Cabeça.

Ao sair do local, Cabeça resolveu pagar a conta com cartão de crédito. Nada de anormal até aí, se o cartão não fosse de sua mãe. Quase saindo do LDIMN (local de divertimento ilícito masculino noturno), o jovem percebeu e ficou louco por isso. Há anos que ninguém o via assim e na situação mais inesperada, ou seja, em um meandro da vida lá estava a transformação do pacato cabeça no super herói colérico da turma. Todos saíram correndo e rindo de Cabeça que queria matar todo mundo em virtude de sua noite de desafogamento ter ido por água abaixo. Sua inocência e imprecisão o levaram a cometer um erro homérico. Quando chegou em casa a história do cartão foi aberta para a mãe que ficou boquiaberta e sem palavras. Cabeça na indecisão de como se explicar, bolou a desculpa mais esfarrapada para o ocorrido. Culpou seus dois amigos de terem, sem intenção, trocado as carteiras e utilizar o cartão no local. A decepção materna não agüentaria saber que seu filho além de todos os defeitos ainda ia em puteiros. Os amigos pagaram pelo pecado, inocência, imprecisão e indecisão de Cabeça. Afinal, amizades são maiores até do que amor de mãe, pois estão acima dos defeitos, e firmes em qualquer situação. Nada é mais glorioso que ser amigo de Cabeça e vê-lo ficar louco.

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Para quê?

Enviado por: Felpudo

Primavera de 1869.
Era uma bela tarde de sábado, o vento tinha dado uma trégua e Rita estava terminando de lavar roupas na bica, quando ouviu baterem à sua porta.
Secou as mãos no avental de pano furado e saiu respingando sabão de soda dos fundos do casebre em direção à sala.
Abriu a porta e viu um sujeito glabro, todo sujo e com um pano vermelho em volta do pescoço. Com cara de mau, apontava uma espingarda enferrujada em sua direção, o que a deixou meio confusa.

O elemento começou a falar com seu sotaque característico:

“Djô soi un jagunço paraguaio i vim acá para matar usted!”
“Para o quê???”
“ParaGUAIO!!! Inclusive, já matei su marido i su hijo!!!”
“Já o quê???”
“JaGUNÇO, señora, jagunço paraguaio!!!”

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No onions, please

Enviado por: Plebeu

Ela entra na lanchonete:

“Fast Lanches, o seu lanche como você gosta! Posso anotar seu pedido?”
“Eu quero um Big Fast”
“Você quer queijo e salada no seu Big Fast? Aqui na Fast Lanches você pode incrementar o seu Big Fast à vontade! O freguês é quem manda!”
“Muito obrigada, quero completo, mas quero que tire a cebola.”
“Certamente! Um Big Fast completo e sem cebola, no capricho.”
“Não, eu quero um Big Fast completo, incluindo a cebola, mas quero que tire a cebola.”
“Mas é com cebola ou sem cebola, freguesa?”
“Eu quero que faça com cebola. Depois que estiver pronto, tire a cebola. Simples. Você disse que o Big Fast pode ser feito como eu quiser…”
“Errr… Pois não! Apenas como curiosidade, por que você quer que faça com cebola e depois tire a cebola???”
“Eu gosto do sabor que a cebola deixa no sanduíche, mas não gosto de mastigá-la, portanto, quero que faça com e depois tire.”
“Ahn, sim, sim… e para beber, o que deseja? Temos refrigerantes, sucos…”
“Você tem água?”
“Sim, temos água. Sai um copo d’ág…”
“Mas eu quero água com gás.”
“Veja bem, freguesa, infelizmente não temos água com gás. Pode ser um copinho de água sem gás?”
“Não, eu quero água com gás. E claro que você tem água com gás: como você faz refrigerante?”
“Bem, o refrigerante é feito na máquina, misturando o xarope com água com g…”
“Eu sabia! Eu sabia que você tinha água com gás! Pois então, eu quero água com gás!”
“Mas essa água é para o refrigerante, ela é misturada na máquina…”
“Mas é água com gás e eu quero que você me dê água com gás.”
“Errr… Certamente, vou desatarraxar a mangueira do xarope e… isso… assim posso tirar um copo somente de água com gás! Prontinho, aqui o lanche sempre sai como o freguês gosta!”
“Eu sei, você já disse isso.”
“Ahn, sim, sim, tenho essa mania esquisita de ficar me repetindo.”
“Agora, por favor, tire o gás da água.”
“E como vou fazer isso???”
“Simples, bata no blender de milk-shake!”
“Mas, outra perguntinha boba, por que pediu água com gás se era pra ser sem gás?”
“Porque se eu pedisse água sem gás, você provavelmente me daria água da torneira, oras! Tá achando que eu bebo água da torneira?”
“Não senhora, de forma alguma, quem sou eu pra achar qualquer coisa? Mas vamos lá que a fila está crescendo: deseja algum acompanhamento? Algo para sobremesa?”
“Sim, quero bananas fritas.”
“Veja, infelizmente não poderei servi-la bananas fritas, pois não temos este item no menu.”
“Vocês têm batatas fritas?”
“Certamente! E bem sequinhas!”
“Vocês têm torta de banana?”
“As melhores da cidade!”
“Então?!? Tire a banana da torta e frite com as batatas! Mas não me diga que não pode fazer, senão vou pro Mequidonauds da esquina e nunca mais volto nesta espelunca!”
“Vou providenciar as bananas fritas. Por favor, pode se sentar com seu Big Fast com cebolas retiradas e seu copo de água gasosa sem gás, que assim que as bananas estiverem prontas, levarei em sua mesa.”

Quase uma hora depois…

“Prontinho, freguesa, cá estão suas bananas fritas!”
“Você provou? Elas estão boas?”
“Errr… na verdade, não provei, mas creio que estejam ótimas!”
“Pois prove!”
“Mmmmm, deliciosas… a senhora não vai comer?”
“Pra falar a verdade, não estava com muita vontade de comer sobremesa, apenas pedi as bananas porque vi no cartaz que na compra de um Big Fast e uma bebida vinha grátis uma sobremesa… Mas deixa pra lá, se você gostou tanto assim das bananas, pode ficar com elas!”

E, despreocupadamente, sai da lanchonete.

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