Enviado por: Plebeu
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Não saía com garotas feias, aquilo poderia contaminá-lo. Nos programas noturnos, procurava sair sempre com os amigos mais bonitos e charmosos, pois eles sempre iam conseguir as meninas mais bonitas e charmosas que, invariavelmente, foram à festa com amigas também bonitas e charmosas – e uma dessas iria acabar sendo sua presa!
As mentiras crônicas, outra característica marcante, sempre faziam parecer que as presas eram melhores e mais suculentas do que todos conseguiam realmente enxergar.
Sua eloqüência criava uma nuvem que cegava a platéia; as coisas não eram como pareciam ser e ninguém se dava conta disso. Sofista de primeira grandeza, possuía o dom de convencer.
“Aquela de ontem era meio feiinha, né?”
“Eu não saí com essa que você viu, saí com a outra, de minissaia e salto alto: maravilhosa! Você foi embora cedo com seu amigo, é?”
Apesar de ter sido um aluno medíocre desde o ginasial, conseguiu arrumar empregos nas atividades que menos entendia: foi auxiliar de desenhista em um escritório de arquitetura, sem saber diferenciar um esquadro de uma caneta-tinteiro; trabalhou em um banco de investimentos ajudando no desenvolvimento de fundos de aplicação, mas não entendia para que serviam os juros compostos; deu consultoria sobre hardware em uma loja de informática, mas mal sabia jogar Pac-Man – e ainda comeu dona Luzia, uma senhora de seus 50 anos, esposa do dono da loja (ninguém nunca soube de nada, não viu nada, não pode provar nada). Quando o cadafalso ficou pequeno, foi para a faculdade.
Optou por uma carreira onde pudesse:
- usar ternos para impressionar as louras;
- influenciar muita gente ao mesmo tempo;
- mentir sem ser descoberto;
- ganhar muito dinheiro.
Fez vestibular e passou para o curso de Direito.