Enviado por: Plebeu
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Na forma de adolescente, continuava a dominar a rapêizi; ainda falava sobre os mesmos assuntos, passando a incluir outros mais atuais e a idear formas de se tornar prefeito de sua própria cidade.
Dedicou-se com afinco a bolar e executar planos mirabolantes e maquiavélicos, tendo que travar batalhas longas e sangrentas com os pais:
“Meu filho é louco! L-O-U-C-O!!!”, desabafava o pai ao telefone a qualquer operador de telemarketing que ligasse tentando vender assinatura de revista.
Brigava com a família e provocava medo ao quebrar o tampo de vidro da mesa da sala. Bebia e pegava o carro escondido para sair com os amigos. Gritava com a avó e fugia de casa. Socava a porta da despensa e chutava a lixeira, amassando tudo em sua fúria insana. Seu quarto, no entanto, era imaculado, totalmente ordenado e limpo, tirando o cheiro de enxofre.
Foi nessa época que desenvolveu a capacidade de voar e de ficar invisível. Conseguia passar por lugares que ninguém mais passava; fugia dos pais diante de seus narizes! Do quarto pra cozinha, da cozinha pro mundo! Conseguia passar por um desafeto no shopping e não ser reconhecido. Escapava das broncas do professor e nunca estava em sala quando havia teste surpresa. Andava de ônibus sem precisar pagar, conseguia lanche grátis no fast-food e depois se gabava da sua audácia e sapiência.
Possuía frustrações sexuais confessadas nos momentos em que simulava fraqueza.
“Enfia”, implorou uma namorada lânguida no banco traseiro de um Chevette 73.
“Tem certeza?”, rebateu o Espírito do Mal, subitamente atacado por uma crise de malária.
Não enfiou; acabou optando por sufocar um homossexualismo latente através de programas com massagistas da região.