Enviado por: Plebeu
Antes, veja aqui
Seus colegas estudavam com afinco para passar nos mais variados concursos públicos. O Espírito do Mal sabia que esse não seria seu caminho; para ficar rico, precisava de um emprego em algum grande escritório de advocacia, um que administrasse milhões! Bilhões! Trilhões! Que influenciasse os rumos da nação!
Formou-se com louvor, a despeito de seu histórico escolar, e imediatamente abiscoitou uma vaga de trainee no departamento jurídico de uma multinacional. Foi muito fácil criar uma aura de competência e credibilidade junto a seus chefes imediatos e logo chamou a atenção do primeiro escalão. Afinal, eram todos farinha do mesmo saco.
Através de manobras escusas, queimou algumas etapas e se tornou chefe de seus ex-chefes. Envolveu-se com contratos de peso, deixando sua marca em negócios variados, como exploração de petróleo off-shore, reconstrução de países destruídos pela ONU e privatização de estatais no terceiro mundo.
Chantageou o pai com segredos antigos e descobertos por acaso e comprou a preço de banana seu bem-localizado apartamento; obrigou os coroas a se mudarem para a casa do irmão mais velho no interior e tornou-se síndico vitalício do prédio, aprovando na surdina uma regulamentação que o permitia construir um clube particular na laje da cobertura.
O clube funcionou como antro de sua restrita alcatéia, da qual o Espírito do Mal era o macho alfa. Cubanos, scotch, poker e meia-luz. O cheiro acre de fumaça e testosterona boiava no ambiente até a noite da terça seguinte, quando era devidamente renovado.
Não obstante sua orientação íntima, casou-se com a Miss Verão de uma cidade satélite. Loura, 19 anos, suburbana, prendas do lar. Para abafar boatos de que fora visto na Lapa de madrugada estacionando para pedir informações a bonecas, engravidou a esposa em uma viagem a Nápolis.
Dizem que quando o filho nasceu, ao levar a tradicional palmada, expeliu vômito e urina vermelha pra todo lado, dando em seguida uma alta gargalhada que deixou os médicos arrepiados. Seus olhos estavam injetados e em seu couro cabeludo podia-se ler: 666.
Mas isso eu não conferi…