Enviado por: Plebeu
Todos daquela família tinham o mesmo problema fisiológico. Ou seria psicológico?
Certo dia, Cozan entrou em um prédio comercial de 42 andares e se dirigiu à fila do elevador que atendia os escritórios mais caros da cidade. Todo engravatado, esperou o elevador logo atrás de uma mulher elegante e com cara de secretária executiva: arrogante e competente. Séria, muito séria.
Em poucos segundos a seta vermelha fez “plim” e acendeu, indicando que deveriam entrar no armário metálico de porta de aço escovado. A fila andou, a suposta secretária entrou, Cozan entrou em seguida. Os passageiros foram apertando os botões de seus andares; a mulher apertou o 40, o mesmo andar para o qual ele ia. A porta automática se fechou e lá se foram eles edifício acima.
Antes do terceiro andar, Cozan sentiu uma incômoda pressão no baixo ventre.
“Preciso me controlar”, pensou.
O elevador parava lentamente em todos os andares e sempre descia alguém. Lá pelo décimo andar, todos já haviam saído, menos Cozan e a secretária. Não agüentando mais, Cozan liberou uma leve flatulência do tipo “fuiiiim”, que escapou deixando uma sensação de calor em sua cueca. Imediatamente percebeu a encrenca: aquele ia feder! Começou a rezar em silêncio, pedindo por um milagre:
- que esse não feda;
- que o elevador suba mais rápido, muito rápido;
- que a mulher não tenha olfato;
- que o cabo do elevador arrebente e a gente se esborrache no poço!
Talvez tenha faltado fé, pois o ambiente enegreceu e a névoa densa e ardida começou a penetrar em suas narinas, causando um tremendo desconforto. A mulher virou o rosto lentamente em sua direção e, pela cara amarrada, tinha claramente deduzido de onde vinha o festival de enxofre.
Desesperado de vergonha e suando frio – e na falta de coisa melhor pra fazer – Cozan apertou o botão 36 e aguardou a parada do elevador. Assim que a porta se abriu, virou-se para a mulher com a cara mais séria que conseguiu fazer e disse:
“Sua porca!”
E pulou pra fora, triunfante.